Num esporte que somente aparece na mídia pelos acidentes que ocorrem pelo manuseio incorreto de seus equipamentos e pela falta de preparo dos responsáveis pelos acidentes, o trabalho de profissionais que atuam com seriedade no mercado, como também os investimentos das indústrias do ramo na fabricação de equipamentos de altíssima qualidade e segurança passam anônimos para as pessoas que não conhecem o esporte.
Nesta entrevista, falaremos com Claudio Cesar Martins, 39 anos – sendo mais de 21 anos dedicados na prática de esportes de aventura -, é instrutor de rapel e nos falará sobre seu cotidiano com o esporte, além de dar dicas para os praticantes e para os que desejam praticar este esporte.
CS Adventure: Há quanto tempo você pratica rapel?
Claudio: Há 13 anos! E venho me aperfeiçoando nas técnicas e manobras durante todos os anos de atividade neste ramo, na formação de alunos e profissionais do ramo. Também sou mergulhador e aprendi com o mergulho que o aperfeiçoamento deve ser estimulado continuamente se desejarmos ter algum conhecimento no que estamos praticando.
E logo assim que iniciei no rapel, coloquei isto em prática.
CS Adventure: Qualquer pessoa pode fazer rapel?
Claudio: Sim. De 8 a 80, mesmo sem qualquer conhecimento das técnicas verticais, neste caso se faz necessário a presença de um profissional da área para fazer o acompanhamento na descida com todos os equipamentos de segurança.
CS Adventure: O rapel é seguro?
Claudio: Sim. Desde que utilizado todos os equipamentos necessários e de forma correta, e que a pessoa tenha um conhecimento técnico do que está fazendo, o rapel se torna um esporte extremamente seguro. Mais seguro até que muitos outros esportes.
CS Adventure: O que é necessário para uma boa prática do rapel?
Claudio: Antes de mas nada fazer uma boa alimentação, levar os equipamentos apropriados para a prática do rapel, fazer sempre um backup em sua ancoragem, e ter um auxiliar para a segurança de sua corda.
Um detalhe é que se nunca deve levar somente uma corda, pois um dia você pode vir a precisar fazer um resgate em caso de prender um cabelo ou a vestimenta e a 2ª corda é necessária nestes casos. Além dos itens que não podem faltar como: kit de primeiros socorros, água e alimentação adequada.
CS Adventure: Alguma dica para realizar manobras “radicais”, como o salto em X?
Claudio: Bom, antes de realizar uma manobra radical deve-se ter o maior controle da situação. Eu aconselho a treinar todos os movimentos em um local de altura mais baixa similar em um ambiente familiar ao que você pretende realizar o desafio.
É importante que não tenha pressa, não deixar a ansiedade levar-te antes do tempo, pois um erro pode ser fatal. Eu, quando comecei a fazer tais manobras, tive muito medo e isto foi o que me segurou durante 2 longos anos de muito treinamento até que os movimentos estarem tão aprimorados que eu realizava quaisquer tipo de salto com total segurança, tendo sempre o medo da situação ao meu lado como um companheiro indesejado, mas necessário para a nossa segurança.
Treine muito, jamais perca o medo, lembre-se que ele é um mal necessário.
CS Adventure: Alguma dica de alimentação?
Claudio: O condicionamento físico é fundamental, mas a alimentação também é um item extremamente importante para praticar o rapel, como quaisquer outra atividade radical. A alimentação é um item que nos dá força para praticarmos as nossas atividades.
O café da manhã acaba se tornando a principal fonte de energia, principalmente em dias na qual se for praticar o rapel pois, normalmente, são ações realizadas na parte da manhã. Comer alimentos ricos em energias, mas que não provoque a sensação de “peso na barriga” é o recomendado. Além disso, as barras de cereais são uma boa pedida principalmente durante a realização dos esportes, pois são fáceis de transportar e auxiliam com na ingestão de carboidratos.
Inclusive, escrevi um artigo no site que fala justamente sobre a alimentação em atividades radicais.
E mais um detalhe: quando for praticar o rapel, leve muita água, pois sempre devemos ter água em abundância para compensar a desidratação do corpo, principalmente em dias de muito sol que costuma fazer aqui na cidade do Rio.
CS Adventure: Quais os melhores lugares para fazer rapel?
Claudio: Aqui no Rio de Janeiro, somos privilegiados grande variedade de opções.
Dentre diversos points, em minha opinião, os melhores para a prática de técnicas verticais estão: a pedra da Tartaruga no bairro de Barra de Guaratiba, que fica a 100 metros acima do nível do mar e que possui um rapel de 45 metros negativo, a partir do pino, com uma visão linda para a orla que começa na praia do Meio – a antiga praia de nudismo – até toda a orla da Barra da Tijuca e Recreio; o pico do Papagaio na floresta da Tijuca, com seus 989 metros de altura e um rapel de 30 metros; a cachoeira do Mendanha; a cachoeira de Muriqui; a cachoeira do Véu da Noiva em Petrópolis; a cachoeira da Feiticeira na Ilha Grande; pedra da contenda na Serra de Madureira; o pico do Papagaio na Ilha Grande são alguns dos lugares que eu gosto de praticar rapel.
CS Adventure: As pessoas costumam ter medo na hora de fazer rapel?
Claudio: Sim, principalmente as pessoas que fazem pela primeira vez, a tendência primária é ficar com medo da altura. Mas, como profissional da área, eu posso afirma que o medo para a prática do rapel não esta na altura, e sim na abordagem da rocha – o tipo de saída que ela impõem ao praticante.
Temos alguns exemplos, como a pedra da Tartaruga que fica a 100 metros acima do nível do mar e com um rapel de aproximadamente 45 metros. Quem chega lá pela primeira vez acha que não será capaz de fazê-lo, mas ao contrario do que se vê, é uma saída perfeita com um ângulo de 45 graus, que automaticamente projeta a pessoa na posição de sentado na corda, para realizar a descida.
Em outra situação, está o aqueduto do Barata, com aproximadamente 20 metros de altura, e que tem uma saída muito difícil por ser em um ângulo de 90 graus e uma ancoragem de corda baixa, deixando o centro de gravidade do corpo abaixo da linha da cintura; exigindo que o praticante atue com muita técnica em sua manobra.
Com tudo, podemos ver que não é a altura o fator principal para o medo e sim o local da ancoragem e o tipo de abordagem da rocha.
Eu, porém, afirmo que o medo é parte fundamental na prática de esporte de aventura. É ele que nos freia e nos faz pensar antes de realizar as manobras, evitando de agirmos no “impulso” desconsiderando os critérios de segurança. Devemos ter medo, mas não podemos deixar que este medo nos controle. Portanto, devemos saber dos riscos, mas ao mesmo tempo devemos controlar o nosso medo. Isto é um grande diferencial.
CS Adventure: O que você acha sobre a participação feminina no rapel?
Claudio: No meu ponto de vista, o crescimento da participação feminina – e até mesmo infantil – na prática do rapel e dos esportes de aventuras, se dá na maiorias das vezes em que as mulheres acabam acompanhando seus familiares, amigos ou namorado ao rapel e acabam praticando-o também.
Este estímulo à participação feminina no esporte é uma política que adotamos para incentivar a participação de familiares e amigos de nossos clientes nas atividades.
Por outro lado, eu posso afirmar que a mulher não tem vergonha de sentir medo, pois quando sente gritam. Já os homens, na maioria das vezes, deixam até mesmo de fazer o rapel por causa da vergonha de sentir medo diante de seus amigos.
CS Adventure: Uma dica para as pessoas que utilizam o rapel como meio de lazer, principalmente aos finais de semana?
Claudio: Aos rapeleiros de fim de semana, é bom lembrar que a diferença entre a vida e a morte esta numa simples distração; por isso, jamais faça uma descida sem a presença de um auxiliar na segurança de sua corda. Faça sempre um backup na ancoragem de suas cordas e leve sempre duas cordas, pois a outra poderá fazer um resgate em caso de necessidade. Após terminar todos os procedimentos, verifique novamente toda a ancoragem, tendo assim a certeza de que está tudo de acordo. Utilize todos os equipamentos para a atividade tais como: boudriex (cadeirinha), mosquetão, freio oito, luvas, capacete e proteção de corda.
Lembre-se: ninguém é bom o suficiente que não erre em um momento de distração. Portanto, tome todos os cuidados necessários para a sua segurança e as dos outros. E depois de feito isto, aproveite tudo de bom que o esporte pode proporcionar.
CS Adventure: O que é necessário para se tornar um bom profissional no rapel?
Claudio: Para uma pessoa praticante de rapel vir a torna-se um bom profissional, em primeiro lugar deve ter tido um bom aprendizado na área, dominar as técnicas verticais e suas manobras, ser calmo, atencioso e dinâmico e estar sempre se aperfeiçoando na área; além de fazer um bom curso de resgate.
E o principal: gostar do que está fazendo.
CS Adventure: Faça-nos uma narração de uma situação difícil ou especial que você passou.
Claudio: Foram tantas nesses anos, mas vou falar sobre uma experiência que eu passei fazem alguns anos atrás:
eu era o guia responsável, e fui levar um grupo para realizar um trekking. Na descida, eu fiquei para trás esperando um casal que estavam fazendo suas necessidades fisiológicas. Estava a aproximadamente 870 metros acima do nível do mar, em uma trilha, atrás de mim tinha um paredão de uns 50 metros que era muito bom para a prática de boudering, um tipo de escalada realizada somente com as mãos, sem nenhum equipamento de segurança. Comecei a subir, e quando estava a 25 metros na rocha, olhei para baixo e não vi os 25 metros, mas sim os 895 metros do morro, porque a trilha era numa descida íngreme.
Sem equipamentos de segurança e usando somente as mãos, eu me desesperei – a minha espinha gelou, minhas mãos travaram, eu não conseguia nem me mexer – e não sabia como sair daquela situação, até que percebi que somente com auto-controle eu poderia vencer aquele medo, tendo em mente que se eu era capaz de subir também era capaz de descer. Após isso, consegui descer – admito que com ainda um pouco de receio, mas calmo. Lembre-se que o auto-controle faz a diferença: pense e raciocine antes de tomar qualquer atitude numa situação difícil.
CS Adventure: O que o Pan 2007 pode contribuir com a expansão do rapel (como de todos os outros esportes) no Rio de Janeiro?
Claudio: Os praticantes de todas as modelidades esportivas têm no Pan a oportunidade de efetuar a divulgação de suas atividades, já que neste período haverá as pessoas estarão mais propensas a prestarem atenção nos esportes. Com isso, mesmos os esportes que não fazem parte da competição possuem a chance de terem uma maior divulgação para o público.
CS Adventure: Mudando de assunto, diga-nos uma cidade ou local inesquecível.
Claudio: Ilha Grande, sem dúvidas!
Somos privilegiados neste local, já que na baia de Ilha Grande e Angra dos Reis existem 365 ilhas, e dentre todas, tem uma especial: a mais bela, a maior de todas, a grande pérola verde dos mares de Angra. Ipaum Guaçú, ou Ilha Grande!
É deste lugar que eu adoro e é um paraíso ecológico que eu vou para descansar e mergulhar.
Tags: esporte, rapel, segurança, treinamento
Claudio Cesar é instrutor dos cursos e eventos de rapel oferecidos pela CS.
As fotos foram cedidas gentilmente pelo entrevistado para uso único e exclusivo pela CS.
muito maneiro gostaria de participar.
como poderia fazer parte disso?
eu moro no rio cidade itaboraí.
teria como não sei onde vocês praticam isso, mas gostaria de aprender o rapel!
carlos.
Bom dia Carlos!
O curso é realizado na cidade do Rio de Janeiro e estamos atualmente com inscrições abertas para a nossa próxima turma.
Você poderá obter o descritivo do curso no seguinte endereço:
http://www.cstur.com.br/esportes/rapel/rj/curso-basico
Estaremos enviando maiores informações para seu e-mail.
Cara maneiro ai não tinha visto, tomei um susto quando procurando um produto vi eu ali no Rapel Radical da CS, parabens meu amigo